O XADREZ DIANTE DAS DEMAIS MODALIDADES ESPORTIVAS
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| Autor: Hideo Suzuki |
As modalidades esportivas podem ser classificadas ou agrupadas, genérica e resumidamente, de diversas maneiras: a) Aéreas, aquáticas e terrestres;
O resumo ilustrativo acima pretende mostrar as facilidades e o baixo custo da prática do xadrez, como passatempo ou competição, além de sua independência diante de fatores ambientais ou materiais, como explicado em seguida. Com efeito, um campeonato de xadrez não requer local, época climática ou instalações especiais, podendo ser realizado em qualquer recinto modesto e mesmo ao ar livre. O seu campo de luta, um tabuleiro, pode ser fabricado com material barato, facilmente disponível (papelão, couro, madeira, plástico), e até feito artesanalmente pelos próprios jogadores, e os instrumentos manipulados, um conjunto de 32 peças de madeira ou de plástico, custam bem menos do que os apetrechos utilizados em outras modalidades. Particularmente, o xadrez pode ser praticado em qualquer ambiente, num banco de jardim, na praia, em viagem (de avião, de navio, de trem ou de ônibus, com um pequeno tabuleiro magnético), por correspondência e por telefone, e agora pela Internet, e mesmo solitariamente, com o auxílio de publicações especializadas. Há múltiplas maneiras de jogar, com tempos de reflexão variáveis, como as partidas relâmpagos (5 minutos ou menos para cada jogador, havendo quem jogue com apenas um minuto para toda a partida), xadrez rápido (cerca de 20 minutos para cada jogador), partidas pensadas (90 minutos ou mais para cada jogador), às cegas (de memória, sem ver o tabuleiro), em consulta (grupo x grupo), com vantagem (handicap) de tempo ou de material (por exemplo, 2 minutos contra 5 minutos, ou começando a partida sem alguma peça ou peão), e as sessões de partidas simultâneas, onde um Mestre enfrenta dezenas e até centenas de adversários ao mesmo tempo (que outro esporte admite esta possibilidade?). Centenas de jogadores podem participar de um mesmo campeonato, com tempo de duração limitado a poucos dias, graças ao chamado Sistema Suíço de Emparceiramento, todos partindo em igualdade de condições (exceto a experiência, o nível técnico), ninguém com um ponto a mais (numa corrida de carros ou de muitas pessoas, nem todos os concorrentes podem começar da mesma linha, pelo contrário, os mais fortes são favorecidos, largando na frente dos demais). Enfim, o resultado de uma partida de xadrez depende só da capacidade do jogador, e não do modelo do tabuleiro ou das peças empregadas. Num torneio de xadrez, enfrentam-se de igual para igual (como seres humanos), sem constrangimento e com respeito mútuo, pessoas das mais dispares ou antagônicas condições, tais como a diferença de idade (uma criança e um idoso), de hierarquia (calouro x veterano, empregado x patrão, soldado x general), de posição econômico-social (pobre x rico, operário x empresário, iletrado x doutor), de sexo (mulher x homem), de cor, raça ou credo religioso (negro x branco, árabe x judeu, católico x muçulmano), de nível técnico (amador x mestre), de peso (leve x pesado) ou de estado físico (mutilado, cego ou surdo-mudo x adversário sem qualquer deficiência), sempre sob o lema “que vença o melhor”, encontros esses inimagináveis em outras modalidades, salvo casos excepcionais. Além de tudo isso, a prática do xadrez é inofensiva à saúde, não apresentando o menor risco de contusão ou de morte. É uma saudável distração, a ginástica da inteligência, como disse Goethe. Conhecido como o jogo dos reis e o rei dos jogos, o xadrez é, paradoxalmente, o mais democrático de todos os jogos (acessível a todos, não é privilégio de minorias). O nível do xadrez reflete a pujança de um país, principalmente sob o aspecto cultural. São realizados nos países mais adiantados do mundo, anualmente, centenas de grandes torneios abertos, sem contar os campeonatos zonais, interzonais e mundiais. Difundido no mundo inteiro, é o único esporte que tem a sua própria Olimpíada, de dois em dois anos, congregando mais de cem países, cada qual com suas equipes masculina e feminina. A FIDE (Federação Internacional de Xadrez) conta com mais de 150 países filiados, número esse apenas inferior ao de filiados à FIFA (Federação Internacional de Futebol). A literatura enxadrística é mais extensa do que sobre qualquer outra matéria ou assunto específico. É um jogo tão antigo, que sua origem, controvertida, perde-se na noite dos tempos. É desalentador, porém, ver o pouco espaço dedicado ao xadrez, nos meios de comunicação. A escassez de patrocinadores e a ainda pequena difusão do xadrez nas escolas, deixa muitos jogadores/técnicos brasileiros sem condições de profissionalizar-se no ramo, submetidos ainda ao desprezo de algumas Prefeituras, que preferem trazer Mestres do Exterior, a custos elevados, só para competições como os Jogos Regionais e os Jogos Abertos do Interior, em São Paulo. O xadrez, por seus inegáveis benefícios, deveria, como fazem os Governos dos Estados do Paraná e de Santa Catarina, ser amplamente ensinado nas escolas públicas e particulares, nas comunidades carentes da periferia, nos centros esportivos públicos, nas associações de classe, nos sindicatos e nos presídios, com a conseqüente redução da criminalidade oriunda da ociosidade. Dizem alguns não entendidos que o xadrez não é esporte. Têm certa dose de razão, porque o xadrez, pelo que se expôs acima, é muito mais do que um simples esporte.
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