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Eleição na CBX

Ao final de 2008 teremos eleição para a Presidência da CBX – Confederação Brasileira de Xadrez - e a atual diretoria já anunciou que não concorrerá a reeleição, é uma pena pois estão fazendo um excelente trabalho principalmente em vista da situação que assumiram a CBX, mas temos que respeitar o direito e vontade de todos.
Até o momento, que saibamos somente temos um candidato declarado ao cargo de Presidente da CBX, é o atual presidente da Federação do Espírito Santo – Pablyto Baioco; e realizamos uma entrevista com ele para conhecer este candidato.


ENTREVISTA COM PABLYTO

 

1) Nome completo, profissão, cidade onde nasceu e reside?

Pablyto Robert Baioco Ribeiro, 29 anos (completo 30 este ano), advogado. Nasci em Manaus/AM e moro em Vitória/ES. Muito embora tenha nascido no Estado do Amazonas, vim para o Espírito Santo com apenas 3 meses de idade. Posso dizer que tenho dupla “naturalidade”, uma de nascença e outra de adoção. Gosto muito das duas!

2) Como você se iniciou no xadrez?

Iniciei no Xadrez aos 13 anos de idade, vendo dois colegas de colégio jogando. Procurei as regras, assimilei e ensinei a um primo, o qual jogava comigo sempre que havia uma oportunidade. Após 5 anos, conheci o pessoal da FESX, que estava retornando às atividades naquele momento e, a partir de então, não parei mais.

3) Qual o seu rating FIDE?

Atualmente somo 2048 pontos de rating FIDE, mas pela falta de ritmo, devido aos compromissos profissionais e de trabalho, não me vejo jogando neste nível, como estava cerca de 2 anos atrás, quando atingi esse patamar.

4) Alem de jogador, você também é arbitro, desde quando?

Sou árbitro desde 1999.

5) Como surgiu o interesse pela arbitragem?

Na época eu era estudante universitário e não tinha nenhuma atividade profissional. Ou seja, tinha bastante tempo de sobra. Só havia um árbitro no ES, o André Machado Ribeiro, forte jogador (casa dos 2150 para cima). Como só ele arbitrava, não podia jogar. Resolvi então aprender para revezar com ele, para que ele pudesse participar mais como jogador. Bom, aí eu meio que “dancei”, porque ele passou a jogar todos os torneios e o pessoal gostou da minha arbitragem, o que fez com que eu me afastasse mais dos tabuleiros. Por incrível que pareça, melhorei como jogador nesse primeiro momento! (risos)

6) Atualmente você é Presidente da Federação do Espírito Santo. Desde quando, e quantos filiados possuem?

Sou Presidente desde 01/01/2003. Fui reeleito duas vezes (2004 e 2006). Encerro este ano, quando terei completado um ciclo de 06 anos. Antes, porém, fui diretor técnico (2001/2002). Atualmente temos cerca de 1000 filiados cadastrados.

7) Como está o nível do xadrez em seu estado?

Está excelente. Recentemente o nosso jogador número 1 alcançou o título de Mestre Internacional. Vários jogadores aqui têm força de 2200 para cima, mas não são dedicados exclusivamente ao Xadrez. Temos descobertos novos talentos a cada evento, o que é um sinal positivo para que novos Mestres possam surgir por aqui.

8) Como você encontrou a Federação e o que você fez e tem feito no xadrez do Espírito Santo?

Muito embora os meus antecessores sejam pessoas íntegras e competentes, eu peguei a FESX numa condição de caixa zero e com dívidas de condomínio para pagar, além de material de xadrez completamente escasso. Isto se deu porque a turma tinha praticamente acabado de reiniciar a FESX, que ficou inativa por cerca de 20 anos! Ou seja, ninguém começa uma entidade sem fazer investimento.

Após o primeiro mandato, já havíamos zerado as dívidas e o caixa estava no zero, mas adquirimos material nesse primeiro período. No segundo mandato já fizemos um up grade: Caixa positivo (até com uma poupança para uma futura sede), compramos um lap top para a Federação (para os torneios), impressora multifuncional, 10 DGTs XL, cerca de 90 jogos de peças oficiais (Jaehrig – com peso e feltro), além de cerca de 50 relógios analógicos. Reformulamos o site e passamos a realizar mais de 50 eventos por ano, contra 12 a 15 que eram realizados antes. Neste terceiro mandato, já aumentamos ainda mais o caixa e adquirimos mais 5 DGTs XL, totalizando 15 (já ouvimos dizer que nenhuma outra Federação do Brasil tem essa quantidade desse relógio, que é o mais moderno modelo da DGT, compatível com o tabuleiro eletrônico).

9) Que eventos já realizou em seu estado?

Já realizamos, fora os nossos municipais e estaduais, além de IRT´s, os seguintes eventos nacionais e internacionais: Semifinal do Brasileiro (2001 a 2004), Copa dos Campeões Estaduais (97 a 2001), Regional Sudeste (2000, 2007 e 2008), Aberto do Brasil (2002), Copa CST ARCELOR (Aberto Internacional de Vitória, 2006), Magistral Internacional do Espírito Santo (2006 e 2007), Magistral Internacional de Guaraparí (2006, 2006 e 2007 – foram 2 em 2006). Esses 5 magistrais, realizados em 2006 e 2007, foram válidos para norma de MI. Este ano temos a pretensão de organizar pelo menos um valendo norma de GM e mais 2 de norma de MI.

10) É verdade que você será candidato a Presidência da CBX?

Sim, oficialmente desde Fevereiro deste ano.

11) Como você vê atualmente o xadrez Brasileiro?

Bom, o Xadrez Brasileiro cresceu muito. Nos últimos 8 anos, podemos contar com facilidade o surgimento de cerca de 15 MI´s/GM´s. Além disto, temos os talentos infanto-juvenis que surgiram nos últimos anos. Enfim, o Xadrez tem crescido muito no Brasil, em todos os níveis. Falta apenas massificar, introduzir na cultura do País, assim como foi feito com o Futebol. Este é o desafio maior que temos pela frente.

12) Quais são os seus planos caso seja eleito Presidente da CBX?

Dar continuidade ao excelente trabalho do Sérgio Freitas e, já que a “casa” está em ordem, dar uma prioridade à implementação do Xadrez Escolar, com vistas à massificação mencionada.

13) Como você vê e o que pretende fazer para jogadores dos seguintes níveis:

- GM / MI / MF?
Vejo esses jogadores como os exemplos que a nova geração vai tomar como parâmetro para seguir no esporte. Assim, faz-se necessário manter o que a CBX já faz – ajuda de custo para disputa de torneios internacionais e o programa Semana com GM –, além de introduzir alguns torneios no próprio País. Não se pode deixar de investir nos ícones do esporte no País.

- Com rating FIDE inferior a 2100?
São os jogadores que movimentam o Xadrez. Não existe um planejamento específico para faixas de rating. Existe a separação: Alto nível, intermediários e iniciantes. Nesse nível intermediário (jogadores abaixo de 2200, não só 2100), temos o que já é feito: torneios. Não se tem como implementar um treinamento específico via CBX para determinados grupos de jogadores, pois a CBX tem mais de 30000 cadastrados e acima de 2200 cerca de apenas 150 jogadores. A Semana com GM já é uma espécie de treinamento, basta que os jogadores interessados solicitem essa aplicação às suas federações.

- Com jogadores menores de 15 anos?
Este é um grande foco, como já dito antes, pois o futuro, a solução de continuidade, está na nessa turminha. Vamos tratar com seriedade o Xadrez Escolar, que atingirá justamente essa faixa etária, em sua maioria.

14) Algo que gostaria de acrescentar?

Nada mais, apenas agradecer a oportunidade e dizer que aguardo pela minha revanche no tabuleiro (foi em 2005, mas quem perde nunca esquece! Hehehehehehehehe...).

Nota: Em 2005 em um IRT na FATEC (SP), onde tive a oportunidade de conhecer o Pablyto, jogamos uma partida onde tive a oportunidade de derrotar o entrevistado, quanto a revanche ´está aceita`, é só aparecer a oportunidade novamente.


Entrevistado por Celso E. Moron
Para o site www.casadoxadrez.com.br
Julho / 2008